Receita de Nhoque



Desde criança eu sempre amei nhoque, mas era o tipo de comida que a gente só comia em restaurante. Eu cresci pensando que nhoque era uma coisa dificílima de fazer, até que já depois de casada, em uma tarde, desci na banca de jornal que tinha na esquina de casa para comprar uma revistinha de receitas (naquele tempo ainda não tínhamos a opção de recorrer a internet). Lembro de escolher aleatoriamente um dos volumes expostos na banca e voltar para casa. Quando cheguei, me deparei com uma receita de nhoque e fiquei empolgadíssima!
Imediatamente verifiquei se tinha todos os ingredientes em casa e parti para a cozinha!
A minha empolgação era tanta que tripliquei a receita, fiz uma bagunça memorável, e no início da noite eu tinha uma geladeira abastecida de nhoque para um batalhão.
Depois disso nunca mais deixei de fazer nhoque, hoje já tenho prática e a bagunça é mínima.
Aprendi que a melhor batata para nhoque é a inglesa, o nhoque fica mais firme, mas se você não encontrar, pode usar da batata comum mesmo que dá certo, só vai pedir um pouquinho mais de farinha para chegar no ponto.



Ingredientes

2 kg de batata inglesa (serve da outra, mas com essa fica mais firme)
3 gemas
1 e 1/4 xícara (chá) de farinha de trigo

1 pitada de sal
50 gramas de queijo ralado de saquinho
farinha de trigo para polvilhar na mesa

Modo de fazer

Cozinhe as batatas na panela de pressão com casca e tudo.
Depois de cozidas escorra a água jogue água na panela para a batata dar uma esfriada e você conseguir pegar elas na mão e descascar.
Passe tudo no espremedor de batatas e junte a farinha primeiro e vá amassando. Incorpore todos os outros ingredientes a massa. Amasse bem e reserve.
Coloque uma panela com água e um fio de óleo para ferver.
Separe duas formas e unte com azeite.
Volte para a massa: Polvilhe farinha na mesa e comece separando pequenas porções de massa e faça rolinhos de mais ou menos 1 centímetro de diâmetro e vá cortando os pedacinhos dos rolinhos com cerca de 2 centímetros. 

Quando terminar de cortar todos os nhoques comece a cozinhá-los aos poucos (cerca de 20 por vez) naquela panela que você colocou água para ferver.
Eles cozinham super-rápido. Assim que subirem a superfície você já pode tirar com uma escumadeira e levar para um escorredor de macarrão.


Transfira do escorredor para as formas untadas. Repita esse processo até terminar de cozinhar todos os nhoques.
Agora é só cobrir com o molho da sua preferência. Eu adoro nhoque ao sugo! Simples e maravilhoso!

Essa receita rende duas formas grandes (Aqui dá para duas refeições para 4 pessoas que come bem).

Receita de ovo cozido no chá



Prato típico da China, os ovos cozidos no chá são normalmente comidos no desjejum.
Eu particularmente não sou a maior fã de ovos, porém resolvi experimentar e adorei!
O cheiro e gosto de enxofre presente no ovo cozido desaparece! A clara incorpora um sabor adocicado e a gema um leve sabor defumado! E além de tudo eles ficam com uma linda aparência marmorizada.



Ingredientes:

6 ovos
3 saquinhos de chá preto (ou a quantidade equivalente do chá a granel)
4 estrelas de anis estrelados
1 pau de canela
2 colheres de chá de açúcar
5 colheres de sopa de molho de soja
1 pitada de sal
Água

Modo de fazer:

Cozinhe os ovos na água por 15 minutos em fogo baixo.
Tire os ovos da panela, e quebre as cascas levemente batendo-os em uma superfície dura, de forma a manter toda a casca mas garantindo que ela fique rachada o suficiente para que o chá possa entrar no ovo. Reserve.
Em uma panela misture o anis estrelado, a canela, os saquinhos de chá preto e os ovos descascados.
Cubra tudo com água e acrescente o açúcar, o molho de soja e o sal.
Cozinhe essa mistura em fogo baixo por 1 hora e meia, desligue o fogo e deixe os ovos de molho por mais 8 horas, dando tempo para que estes absorvam melhor o sabor do chá.
Descasque os ovos e bom apetite!

Variações


Dependendo da região da China essa receita tem algumas diferenças em seus ingredientes, uma variação interessante leva chá de jasmim no lugar do chá preto, caldo de galinha no lugar do molho de soja, além da canela e do açúcar darem lugar ao cravo, ao alho-poró e ao gengibre nas seguintes proporção:

6 ovos
2 colheres de chá de jasmim
3 estrelas de anis estrelados
3 cravos
2 fatias finas de gengibre
1 alho poró cortado em fatias (somente a parte branca)
¼ de colher de chá de caldo de galinha em pó
1 pitada de sal
Água

O modo de preparo é sempre o mesmo.






Receita de Bagel de Nova York




Para mim Nova York é surpreendente e inesgotável, porém confesso que no quesito “comida pagável” decepciona.

Para os reles mortais como eu, comer em Nova York é absurdamente caro, qualquer coisa custa caro! Na barraquinha de rua, no fast food, ou o restaurante de quilo, em qualquer lugar da cidade, é inevitável gastar muito mais que no Brasil para comer uma comida bem mais ou menos, (mesmo abstraindo a conversão do nosso real desvalorizado por essa política econômica bizarra desse governo incompetente).

Não me lembro de ter me impressionado com nenhuma refeição, porém saí encantada com os pães! Sim! Os pães eram incríveis, de várias formas e texturas e exibindo preços razoáveis.

O pão que mais me chamou atenção foi o bagel, uma espécie de pão em formato de rosquinhas, com uma casquinha firme e o miolo macio.

Em uma manhã, com a barriga vazia e o senso de direção completamente bagunçado pelo sono, fui fisgada por um pequeno café. Ainda na rua fui hipnotizada pelos pães.

Lá comi o melhor pão com ovo da minha vida! Mais especificamente um Bagel! Nunca nem tinha ouvido falar desse tipo de pãozinho, (ou talvez tenha visto em filmes e séries, mas nunca tenha dado a devida atenção).

Depois disso, comi o tal bagel mais algumas vezes, mas a que sem dúvida foi memorável foi em uma pequena casa de bagels chamada Baz Bagel, que fica entre a encantadora Chinatown e Little Italy.
Fachada da Baz Bagel

Vitrine da Fachada da Baz Bagel com diversos tipos de babel


Lá que eu experimentei o tradicionalíssimo bagel com salmão defumado. Na minha frente o rapaz que atendia ao balcão fatiou finamente um enorme salmão exposto na vitrine, que junto com cream cheese recheou meu bagel coberto de semente de papoula.

...


Hoje a tarde me bateu uma enorme fissura por pão, qualquer tipo de pão, mas quando pensei no trabalho que dá, em tempos de quarentena, sair de casa para comprar um simples pão, resolvi que faria meu próprio pão. Aí pensei: E por que não arriscar fazer um bagel? Aí começou a aventura!
Para minha alegria deram super certo! E ficaram idênticos aos bagel das minhas memórias!

Receita de Bagel de Nova York:



Ingredientes:


2 colheres de chá de fermento biológico seco
2 colheres de açúcar
1 ¼ xícara de água morna
3 ½ xícaras de farinha de trigo
½ colher de chá de sal
1 colher de sobremesa rasa de bicarbonato de sódio
2 colheres de sopa de melado
Sementes de papoula, sementes de gergelim, cebola desidratada, alho desidratado, ou o que você quiser (para passar em cima dos bagels)

Modo de fazer:


Misture o fermento, o açúcar e ¼ de xícara de água morna. Tampe com um plástico filme e deixe descansar por 10 minutos.
Coloque toda a farinha e o sal em cima de uma mesa ou bancada, faça um buraco no meio e despeje a mistura que estava descansando. Aos poucos vá incorporando 1 xícara de água morna e misturando tudo até virar uma massa homogênea. 



 Sove essa massa por cerca de 10 minutos.



Cubra a massa com um pano limpo e úmido e deixe crescer por 1 hora.
Passado esse tempo, de pequenos soquinhos na massa e deixe descansar por mais 10 minutos.
Separe a massa em 8 partes iguais e faça bolinhas.




Fure o meio de cada uma delas com o dedo e com cuidado vá abrindo mais esse furo para moldar como uma rosquinha.
Coloque todos eles em uma forma forrada com um pouco de farinha de milho e deixe crescer por mais 20 minutos.


Enquanto isso, encha uma panela grande com água e coloque para ferver, acrescente o bicarbonato de sódio e o melado.
Pré-aqueça o forno a 200 graus.
Passados os 20 minutos e com a água já fervendo cozinhe os bagels por cerca de 3 minutos, virando-os na metade do tempo para cozinhar dos dois lados.

Logo que você coloca na água eles já crescem

E em seguida a água já começa a espumar

Tire os bagels da panela com uma escumadeira e os coloque dentro de uma bacia com água em temperatura ambiente.



Passe um dos lados dos bagels na sementes de papoula ou na sementes de gergelim ou na cebola desidratada ou alho desidratado, ou o que você quiser, e coloque em uma forma sem untar, com o lado que você colocou as sementes virado para baixo e leve para assar por 15 minutos.
Depois de 15 minutos vire os bagels e deixe assar por mais 20 minutos ou até eles ficarem dourados.

Prontinho! 



Agora você come puro ou recheia com o que tiver vontade.
Por aqui recheamos com ovos mexidos com queijo e catupiry.


Bom apetite!

...

Serviço:

Bagel com ovo: Fica ao lado da Marshall da 6ª Avenida. Me pareceu que era uma espécie de loja de conveniência de uma loja de cama, mesa e banho chamada Bed Bath & Beyond.

Bagel com salmão defumado: Baz Bagel - Fica na 181 Grand Street, New York, NY 10013 https://www.bazbagel.com

#ficaemcasa

Essa quarentena tem servido para eu conseguir fazer coisas que há tempos eu gostaria de fazer, mas que por falta de tempo ou de disposição eu sempre deixo para depois. 
Fazer aquela limpeza na casa, sabe aquela? Ou então ir para a cozinha com a alma... Aliás a cozinha que tanto me salvou dos meus próprios pensamentos foi ficando cada vez mais distante de mim, servindo apenas para o preparo de refeições rápidas do dia-a-dia.
Esse blog aqui, tão querido, foi também deixado de lado... última atualização: 2015!!!
De lá para cá, muita coisa mudou, aquele ano foi um ano de muita reflexão, mas em meio das minhas reflexões eu jamais imaginaria que em 2020 o mundo teria andado para trás, que hoje o Brasil seria governado por um verme genocida miliciano!
Jamais imaginaria que hoje viveríamos uma pandemia que faz vítimas fatais em todo mundo.
Nos últimos dias milhares de coisas passam pela minha cabeça, ora sinto ódio, ora sinto tristeza e mais uma vez a cozinha se torna minha aliada.
Me voltei para ela, comecei a testar receitas que há tempos estavam anotadas no meu caderno, descobri novas receitas, me alegrei com os resultados e pensei: Por que não colocar no blog?
Pois bem, aqui estou, cinco anos depois, e assim sigo administrando meu tempo e cuidando da alma.

Receita de Gajar Halwa (Docinhos de cenoura)

Receita de Gajar Halwa (Docinhos de cenoura)
Eu tenho muito interesse em assuntos relacionados à Índia... desde menina é assim... com uns 14 anos, fiquei sabendo por meio de um cartaz em uma livraria, que aconteceria na minha cidade uma palestra com um monge indiano, combinei com uma amiga, pegamos o ônibus e fomos para a tal palestra, sem dúvida éramos as duas pessoas mais jovens de todo auditório, me lembro como se fosse hoje, o monge, já de certa idade, usava uma vestimenta típica, tinha uma barba branca bem comprida e falava calmamente... aquele foi uma dia que me marcou profundamente. 
De lá pra cá meu interesse só cresceu, confesso que gostaria muito de praticar ioga com regularidade, ou ainda frequentar as tantas atividades que vejo que acontecem... mas nem sempre consigo.
Sabendo de todo esse meu interesse, meu marido me presenteou com um livro chamado Arqueologias Culinárias da Índia, escrito por Fernanda de Camargo-Moro.
O livro é incrível, nos conta de forma interessantíssima um pouco da história e dos costumes da Índia por meio de receitas encantadoras! 
A receita do post de hoje é justamente uma adaptação de uma receita desse livro. 
São deliciosos doces de cenoura, um doce típico indiano, chamado Gajar Halwa. Originalmente ele é servido em taças, ainda quente, ou já frio, cortado em forma de diamante salpicado com pistaches e amêndoas.
A receita que eu passo aqui, leva exatamente os ingredientes apresentados no livro, a mudança que eu fiz foi apenas no preparo. Na hora do cozimento cheguei em um ponto que eu conseguisse enrolar e colocar em forminhas para serem servidos como docinhos  de festas.
Além disso, usei castanhas de caju para enrolar. A combinação ficou ótima!
No vídeo mostro o passo-a-passo do preparo!
Ingredientes:
500 gr de cenoura ralada
360 ml de leite
150 gr de açúcar
100 gr de ghee
½ colher de chá de sementes de cardamomo
Castanha de caju socada para enrolar

Modo de fazer:
Rale a cenoura, refogue-a em uma panela de fundo grosso com metade da manteiga. Junte o leite, o cardamomo, o açúcar e a outra metade da manteiga. Mexa lentamente a mistura em fogo médio até dar o ponto, formando uma massa homogênea e cremosa.
Despeje em uma travessa e espere esfriar. Enrole os docinhos e passe na castanha de caju triturada.

Receita de Berinjela Cheia

Receita árabe de Berinjela Cheia
Fazia tempo que não postava nenhuma receita árabe aqui, então nada mais justo que postar uma bem especial, e com um vídeo de passo-a-passo para acompanhar!
Há pouco tempo ganhei uma paninho bordado com berinjelas da minha avó, imediatamente pensei que eu tinha que passar aqui no blog uma receita de berinjela cheia, prato presente na minha vida, desde a infância... a minha avó inclusive faz a melhor berinjela cheia do mundo!
Cá entre nós, a receita que eu passei aqui, tem alguns errinhos, o limão por exemplo, não vai na receita original, mas em algum dia da minha vida eu confundi com outra receita e desde então faço assim... então se você não quiser usar o limão, não precisa. Outro erro é a forma com que eu corto a parte de cima da berinjela, não é a forma tradicional, mas também funciona.
Essa é uma receita muito nutritiva, a princípio pode parecer difícil, mas é só impressão, acho que é uma receita muito prática, inclusive para variar o cardápio no dia-a-dia.
É um prato que pode ser congelado numa boa que depois de descongelado também fica ótimo, nem parece comida congelada, que eu particularmente não sou muito fã.

Ingredientes:
8 berinjelas
200 gr de carne moída
1 xícara de arroz cru (lavado e bem escorrido)
1/2 maço grande de hortelã
1/2 maço grande de cebolinha
1 maço grande de salsinha
Sal a gosto
1 lata de tomate pelado picado
1 tomate picado
1 limão
½ xícara de água

Biscoitos de Pistache

Biscoito de Pistache Ghraibe

Conhecido como ghraibe, esses biscoitinhos de pistache, são surpreendentemente incríveis, posso dizer que é uma espécie de mantecal, então se você não quiser usar o pistache, pode por exemplo, fazer bolinhas e espetar um pedacinho de goiabada em cima!
A receita é muito simples, leva apenas 5 ingredientes, e em menos de 2 horas está prontinha.
Eu achei essa receita em uma revista já há um tempinho, tentei achar o link para colocar aqui mas não encontrei...
Minha primeira tentativa de reproduzi-la foi frustrada... A massa ficou muito seca, despedaçando, então aumentei um pouquinho a quantidade de manteiga e tudo foi resolvido.
Eu acho que isso aconteceu porque cada farinha tem uma umidade diferente, então em qualquer receita precisamos sempre sentir a textura da massa, e corrigir.
No vídeo dá para ver direitinho a textura ideal, se sua massa estiver muito seca, vá acrescentando aos pouquinho colherezinhas de manteiga, e se ficar muito mole, coloque um pouquinho mais de farinha.



Ingredientes:
83 g de açúcar
83 g de açúcar de confeiteiro
200 g de farinha de trigo
150 g de manteiga
36 g de pistache socado

Modo de fazer:
Primeiro bata na batedeira todos os ingredientes, menos o pistache, até a massa ficar homogênea. Leve essa massa embrulhada em um saco plástico para a geladeira por 1 hora.
Depois desse tempo, bata novamente por mais 5 minutos.

Polvilhe o pistache, já socado em um pilão, sobre a mesa, e vá Rolando a massa sobre eles. Com a ajuda de uma faquinha, corte pedacinhos de massa. Acomode tudo em uma assadeira e leve para assar em forno pré-aquecido à a 160oC., por 30 minutos.

Cookie de cranberries, alecrim e açúcar de coco

Cookie de cranberries, alecrim, açúcar de coco e semente de cumaru
Cookie é sempre uma delícia, é ótimo para um lanche da tarde, para o café da manhã, ou até para matar a fome e a ansiedade que insistem em aparecer sempre na hora que eu vou dormir...
Lembro quando os cookies industrializados chegaram com força no mercado, foi mais ou menos na época que eu estava prestando vestibular, e sinceramente sempre me animava a encarar as provas ao lembrar dos pacotinhos de guloseimas que eu carregaria comigo ...
O tempo passou... eu entrei na faculdade e acho que enjoei de cookie... aí o tempo continuou passando e “desenjoei” deles, aí comecei a testar receitas em casa, mas nunca nenhuma dava certo, ou eles ficavam duros demais ou ficavam fofos demais, tipo bolo embatumado, até que misturei um pouquinho de cada receita que não dava certo e cheguei em uma receita base. Com o tempo saquei que mesmo que eu mudasse alguns ingredientes, mas respeitasse as proporções de secos e molhados, os cookies sempre saiam lindos e perfumados do forno.
A receita desse post é uma versão integral que eu fui aperfeiçoando com o tempo e que eu adoro, e olha que eu nem gosto tanto assim de coisas integrais, mas esses cookies ficam perfeitos e conseguem calar minha fome por um bom tempo. Outro ponto alto dessa receita é que fica pronta super rapinho e praticamente não suja louça.
Comecei a criar essa receita de cookies quando meu marido chegou em casa com um pacote de cranberries, eu olhei para as frutinhas e pensei na hora em cookies, aí fiquei dias pensando em uma combinação bacana, até que olhei para minha mudinha de alecrim que com a chegada da primavera resolveu crescer... pronto estava aí a combinação perfeita: Cranberries com alecrim!
Para completar resolvi usar pela primeira vez açúcar de coco, eu conto a história dele nesse post aqui, eu estava com bastante receio, mas como quem está na chuva é para se molhar, resolvi arriscar.
Como não sou de açúcar, arrisquei mais ainda e resolvi completar a experiência, substituindo a farinha de trigo refinada da receita original, por aveia e farinha de trigo integral.
Olhei para todos os ingredientes, achei tudo tão saudável que não quis colocar a essência de baunilha, mas imaginei que ia ficar faltando aquele gostinho característico que todos os cookies tem... Rapidinho resolvi o dilema com raspinhas de semente de cumaru, conhecida também como fava tonka, (eu falo mais sobre ela nesse post aqui).
Com tudo decidido, coloquei a mão na massa, literalmente, e não é que deu tudo perfeitamente certo... Fiquei tão feliz que decidi fazer um vídeo, bem curtinho, mostrando o passo-a-passo da receita.
A lista com a quantidade de todos os ingredientes vai logo abaixo do vídeo!
Ingredientes:
1 xícara de aveia em flocos 1/2 xícara de farinha de trigo integral
1/2 xícara de açúcar de coco
1/2 colher de chá de fermento em pó
1/4 xícara de manteiga sem sal
1 ovo
Raspas de 1 cumaru
1/2 xícara de cranberries secas

Temperos e Especiarias: Semente de Cumaru

Imagina uma árvore brasileiríssima, nativa da região amazônica, com mais de 30 metros, casca avermelhada, madeira muito dura, e que seu nome indígena significa árvore dos feiticeiros!
Agora continue imaginado que ela dá um fruto que quando exposto ao sol, pode ser aberto, tem polpa comestível e bem ali, em seu miolinho, encontramos a semente mais perfumada de todos os tempos!
Temperos e Especiarias: Semente de Cumaru; Fava Tonka
Um perfume de coisa antiga, que remete a coisa muito boa, que tem a capacidade de levar a gente para um outro tempo, que a gente nem conheceu!
É um perfume que lembra amêndoas, lembra também o miolinho de dentro do caroço da ameixa seca (sim! eu já abri, e adoro ficar sentindo aquele cheiro), acho que lembra madeira também... pois é, parece conversa de doido, mas se você conhece a Semente de Cumaru, também chamada no exterior de Fava Tonka ou Tonka Bean, sabe exatamente do que eu estou falando!!
As sementes de cumaru sempre foram muito usadas pelos índios como remédio para aftas, antibiótico, antifúngico e tônico capilar, que perfuma e dá brilho aos cabelos. Ela também é velha conhecida dos povos africanos, que sempre usaram-na em rituais religiosos.
Infelizmente, com o passar do tempo, nossa cultura e sabedoria ancestral foi se perdendo, e hoje quem consome nossas sementes são os estrangeiros. Praticamente toda nossa produção é destinada a exportação, é difícil encontrá-la por aqui, e quando conseguimos, pagamos o alto preço de especiarias importadas. Uma pena...

Semente de Cumaru na Culinária


A França e a Inglaterra são os países que mais usam a semente de cumaru na culinária, repare uma série de doces franceses que levam como ingrediente a Fava Tonka... sim, é a nossa semente rebatizada.
Aqui no Brasil ela começou a ser usada por alguns chefes, que a apelidaram de baunilha brasileira devido ao seu sabor que lembra o da baunilha. Essa semelhança se deve à uma substância que elas tem em comum, a cumarina, responsável pela cristalização que notamos nas sementes, e que em altas doses pode ser tóxica, mas só em doses altas mesmo... se usarmos a semente de cumaru como usamos a baunilha, a cumarina presente nela é inofensiva.
E é assim seu uso na cozinha, ela perfuma e aromatiza pratos, combina muito com doces a base de leite, como pudins, vai bem também com chocolate, e no preparo de bolos e biscoitos variados. Em breve devo postar aqui algumas experiências que eu fiz, como um cookie de cranberry e alecrim e um bolo de cumaru com chocolate branco e castanha de caju. 

Semente de Cumaru pode ser a chave para a cura do Alzheimer


E meu encantamento com essa sementinha não se dá apenas pelo seu perfume e seu sabor, recentemente a Universidade Federal do Pará (UFPA), iniciou estudos que colocam a semente de cumaru como chave na busca da cura do mal de Alzheimer.
Os pesquisadores da universidade descobriram que existe uma substância nas sementes de cumaru que tem uma grande concentração de propriedades neurogênicas, que induzem as nossas células tronco a formar novos neurônios.
Por enquanto o tratamento desenvolvido pela UFPA apenas diminui significativamente perdas cognitivas nas pessoas que sofrem do mal de Alzheimer, mas os estudos prosseguem no caminho da cura.

Receita de torta de limão

Receita de torta de limão
Essa torta é do tipo de comida perfeita, é fácil e barata de fazer, deliciosa, linda e vem junto com um kit de memórias tão gostosas quanto ela.
Eu não vou contar aqui nenhuma história excepcional, nem sei direito que o que vou contar, porque essa torta me traz recordações de momentos simples, comuns da vida. Se eu pudesse rebatizar a torta, acho que a chamaria de “Torta do Cotidiano”... rsrsrs... nada sonoro né...
O primeiro exemplar dela foi preparado pelo meu marido há mais de 14 anos atrás... Éramos recém casados, eu estava grávida e devorei a torta em um único dia. A partir daí ele começou a preparar sempre essa receita.
Assim que minha filha experimentou a torta pela primeira vez, ficou encantada e a elegeu como sua sobremesa preferida! Pedia a torta constantemente, até que começou a fazer a torta com a gente... tomou gosto pela cozinha.
Quando ela tinha uns 5 aninhos, comprei minha primeira filmadora, e a primeira coisa que me pediu foi que a filmasse preparando a torta. Arrumamos todos os ingredientes e gravamos...
Depois que comecei a escrever no blog, comecei a buscar receitas novas, referências novas e com isso a tão querida torta de limão ficou um bocadinho esquecida... até que minha filha, tratou de nos lembrar dela, do mesmo jeitinho que fazia aos 5 anos disse: Faz torta de limão? Na hora pensei, a torta de limão tem que ir para o blog, mais do que isso, ela merece um vídeo com o passo-a-passo! Eis que ele ficou pronto! Espero que gostem, tanto quanto nós gostamos!
A lista com a quantidade de todos os ingredientes está logo abaixo do vídeo!
Ingredientes:
Para massa:
1 gema
8 colheres de manteiga
1 colher de açúcar
1 pitada de sal
2 xícaras de farinha de trigo

Para o recheio
1 lata de leite condensado
Suco de 01 limão
Raspas de 01 limão

Para o merengue
3 claras em neve
8 colheres de açúcar

O delicioso açúcar de coco

Ouvi falar do açúcar de coco pela primeira vez no início desse ano, foi por intermédio de um amigo que ao ver o blog sugeriu que eu fizesse uma receita usando o tal açúcar. Uns dias depois, uma amiga enviou por whatsaap uma receita usando o açúcar de coco.
Índíce glicêmico: Açúcar de coco
Comecei a procurá-lo em supermercados e lojas de confeitaria, até encontrei, mas por um preço bem salgado então acabei nem comprando... o tempo passou e me esqueci dele... até que me deparei novamente com ele no varejão, foi sem querer mesmo, nem estava procurando... dessa vez o valor já era bem mais acessível, então resolvi comprar.
Cheguei em casa, senti seu cheiro e achei muito parecido com cheiro de coco queimado, (apesar de amar coco, eu odeio coco queimado), e fiquei com um pé atrás imaginando que se eu usasse ele em uma receita, a receita ficaria com sabor de coco queimado.
Há alguns dias ao testar uma receita de cookie me lembrei dele. Meio receosa resolvi trocar o açúcar comum pela mesma quantidade de açúcar de coco. O resultado foi incrível! Ele realmente adoça e não deixa o temido gosto de coco queimado.
Corri para a internet para pesquisar mais sobre ele, ainda tem pouca informação, mas com o que achei fiquei mais encantada ainda!
O açúcar de coco é originário do sudeste asiático, onde é considerado um alimento medicinal. Ele está muito presente na culinária de países como a Indonésia, Camboja, Tailândia, Vietnã, Malásia e Sri Lanka.
Do ponto de vista da produção, ele é considerado o açúcar mais sustentável do mundo, já que rende 75% mais do que a cana de açúcar e utiliza muito menos água.
Toda a sua produção é artesanal, primeiro a seiva das palmas de coco é extraída por meio de pequenos cortes, aí essa seiva é aquecida em uma caldeira até tornar-se um caramelo espesso. Enquanto a seiva é aquecida, é necessário mexer a caldeira constantemente até o produto chegar em uma consistência sólida. Depois disso é só embalar. Achei esse vídeo da agência de notícias Reuters, que mostra o processo de produção lá na Indonésia:
O Açúcar de coco é um adoçante natural, super nutritivo, não contém conservantes, não é processado e nem filtrado, o que garante que todas as vitaminas e minerais existentes na sua composição sejam preservados.

Índíce glicêmico: Açúcar de coco
Para se ter uma ideia, ele é extremamente rico em potássio, magnésio e zinco, além de ser uma fonte natural de vitaminas B1, B2, B3 e B6.
Seu poder de “docura” é o mesmo do açúcar de cana, (em receitas podemos substituir na proporção de 1:1), porém a melhor informação ainda está por vir: ele tem um índice glicêmico muito abaixo do açúcar e do mel, o que faz com que a absorção dele pelo organismo seja muito mais lenta, liberando aos poucos a glicose no sangue, o que faz do açúcar de coco a melhor opção para diabéticos.
Em breve vou postar uma receitinha especial usando o açúcar de coco!


Receitas testadas e fotografadas!


Comecei a escrever o blog há mais ou menos 6 meses... Quando estava perto do "aniversário" dele, pensei em fazer alguma receita especial de bolo para comemorar a data, rsrs, mas como sou mega atrapalhada com datas, acabou passando batido.
Até que no sábado aconteceu uma coisa que me deixou muito feliz, e que para mim foi a melhor comemoração de 6 meses de blog!
Recebi fotos de pessoas muito queridas que fizeram essa receita aqui de bolinho de banana sem farinha, sem açúcar e sem leite! 
Já tinha recebido mensagens do pessoal falando que faria determinada receita, e tal... ou ainda que determinada receita deve ficar uma delícia... mas receber a foto da receita feita, foi a primeira vez! A emoção começou por intermédio da minha filha. Ela me enviou fotos do bolinho de banana feito pela Jú, uma amiga dela! Olha como ficaram lindos e apetitosos!!
Pouco tempo depois, recebi essas fotos aqui, das minhas primas, com a seguinte mensagem: Fizemos a sua receita do bolinho. Ficou maravilhoso! Todos provaram e aprovaram! 
Uma das minhas primas, que gosta tanto de doce quanto eu, completou dizendo que mesmo não indo açúcar no bolo ele fica docinho!

Para elas eu quero dizer, que apesar da distância, meu coração está aí sempre... e nesse caso bem representado pelos bolinhos em formato de coração! <3

Receita de Mostarda Amarela

Há algum tempo, passei uma receita de mostarda nesse post aqui, mas acontece que gosto tanto de mostarda que resolvi fazer um teste para ver se eu conseguia chegar na mostarda amarela... O resultado foi perfeito, até fiz um vídeo que já está lá no canal mostrando o passo-a-passo. A receita é tão fácil que o vídeo tem 1 minuto!!
Algumas observações:
01 - Você deve bater de acordo com a consistência desejada. Quanto mais bater, mais lisa ela ficará, mas já adianto que ela fica deliciosa de qualquer jeito!
02 - Depois de bater, não esqueça de deixar a mostarda na geladeira por uns 4 dias antes de consumir. Essa etapa serve para a mostarda perder um pouco do sabor picante, (que logo após bater é muitooo forte), ou seja, quanto mais tempo ela ficar na geladeira depois de pronta, menos picante ela fica.

A lista com os ingredientes é essa aqui:

1 de xícara de sementes de mostarda amarela
1 xícara de vinho branco seco
1 xícara de vinagre branco
1 cravo

Ontem foi dia de festa em casa!

Ontem fizemos um festa aqui em casa! A anfitriã foi minha filha, tudo começou porque três amigos dela fazem aniversário esse mês, com isso a turma resolveu fazer uma festa surpresa. Precisavam de uma casa, e como bons festeiros que somos, topamos na hora!
Toda a organização ficou por conta deles, arrecadaram dinheiro, decidiram o cardápio, fizeram as compras, pensaram até em itens decorativos...eu apenas acompanhei, ou seja, dessa vez não assumi meu posto de cozinheira.
De última hora minha filha olhou pra mim e disse: Mãe, bem que você podia fazer cupcake, né! Adorei a proposta e coloquei em prática uma receitinha ótima que aprendi há alguns anos quando pedi socorro em uma loja que vende ingredientes para confeitaria. É uma receita que eles distribuem para clientes que querem vender os bolinhos, é ótima, a cobertura aguenta firme no calor, é gostosa e fica lindo!
Receita de cupcake de chocolate
Assim que a massa saiu do forno, alguma amigas da minha filha chegaram para ajudar arrumar os detalhes da festa, arrumaram as mesas, colaram faixas de feliz aniversário pela casa, parece que pela primeira vez as coisas aconteceram de forma sincronizada (eu sempre atraso tudo nas minhas festas)... Mas dessa vez, assim que tudo estava pronto os convidados começaram a chegar.
Foram cerca de 40 amigos e uma matemática complexa, porém bem sucedida para garantir que os três aniversariantes não descobrissem nada e fossem surpreendidos, ao mesmo tempo, por um sonoro SURPRESA! com direito a spray de espuma, daqueles usados em carnaval...
A noite estava ótima, (daquelas noites quentes deliciosas, com cara de verão, mesmo que oficialmente ainda estivéssemos no inverno), super propícia para que a festa extrapolasse os limites de casa e se espalhasse pela rua...
Enquanto eles tomavam a rua junto com um arsenal de pulseirinhas fosforescentes, meu marido e eu observávamos e divagávamos sobre a vida sentados na guia da calçada.

Receita de Cupcake de chocolate

Massa
Ingredientes:
1 xícara de açúcar
6 colheres de sopa de manteiga sem sal em temperatura ambiente
1 xícara de chocolate em pó
2 xícaras de de farinha de trigo
2 colheres de sopa de fermento em pó
4 ovos
1 xícara de leite

Modo de Fazer
Bata a manteiga com o açucar até ficar esbranquiçado, junte o chocolate em pó, bata mais um pouco e vá acrescentando os ovos, um a um e aos poucos a farinha misturada com o fermento e alterne com o leite.
Coloque em forminhas e leve para assar em forno médio pré-aquecido.

Cobertura:
Ingredientes:
400 gramas de chocolate meio amargo
200 gramas de manteiga sem sal em temperatura ambiente
200 gramas de doce de leite

Modo de Fazer
Derreta o chocolate e misture muito bem a manteiga e o doce de leite. Leve para a geladeira por 15 minutos para a cobertura firmar e com a ajuda de um saco de confeiteiro e um bico pitanga decore os cupcakes.

Receita de bolinho de banana sem açúcar, sem leite e sem farinha

Quando vi essa receita fiquei meio desconfiada, mas como estava com um monte de bananas super maduras aqui em casa resolvi arriscar.
Receita de bolinho de banana sem açúcar, sem leite e sem farinha

Foi a melhor coisa que fiz, os bolinhos ficam deliciosos, são ótimos para lanche da escola, para café da manhã ou lanche da tarde. Todo mundo aqui adora!!
Normalmente levo menos de 15 minutos entre preparar a receita e assar os bolinhos! Olha aqui a lista dos ingredientes:

2 bananas maduras
1/4 de xícara de óleo
1 xícara de aveia (pode ser farinha de aveia ou aveia em flocos finos ou grossos)
2 ovos
1/2 xícara de uvas-passas pretas
1/2 colher de sopa de fermento em pó
Uvas-passas para decorar

A receita é bem fácil de fazer, dá uma olhada no passo-a-passo no vídeo aqui embaixo e não se esqueça de se inscrever no nosso canal para receber todas as nossas atualizações!


Estas Mãos


Estas Mãos Cora Coralina



Olha para estas mãos
de mulher roceira,
esforçadas mãos cavouqueiras.

Pesadas, de falanges curtas,
sem trato e sem carinho.
Ossudas e grosseiras.

Mãos que jamais calçaram luvas.
Nunca para elas o brilho dos anéis.
Minha pequenina aliança.
Um dia o chamado heróico emocionante:
- Dei Ouro para o Bem de São Paulo.

Mãos que varreram e cozinharam.
Lavaram e estenderam
roupas nos varais.
Pouparam e remendaram.
Mãos domésticas e remendonas.

Íntimas da economia,
do arroz e do feijão
da sua casa.
Do tacho de cobre.
Da panela de barro.
Da acha de lenha.
Da cinza da fornalha.
Que encestavam o velho barreleiro
e faziam sabão.

Minhas mãos doceiras...
jamais ociosas.
Fecundas. Imensas e ocupadas.
Mãos laboriosas.
Abertas sempre para dar,
ajudar, unir e abençoar.

Mãos de semeador...
Afeitas à sementeira do trabalho
Minhas mãos raízes
procurando a terra.
Semeando sempre.
Jamais para elas
os júbilos da colheita.

Mãos tenazes e obtusas,
feridas na remoçãode pedras e tropeços,
quebrando as arestas da vida
Mãos alavancas
na escava de construções inconclusas.

Mãos pequenas e curtas de mulher
que nunca encontrou nada na vida.
Caminheira de uma longa estrada.
Sempre a caminhar.
Sozinha a procurar
o ângulo prometido,
a pedra rejeitada.


Cora Coralina
Meu Livro de Cordel – 1976


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