Receita de Gajar Halwa (Docinhos de cenoura)

Receita de Gajar Halwa (Docinhos de cenoura)
Eu tenho muito interesse em assuntos relacionados à Índia... desde menina é assim... com uns 14 anos, fiquei sabendo por meio de um cartaz em uma livraria, que aconteceria na minha cidade uma palestra com um monge indiano, combinei com uma amiga, pegamos o ônibus e fomos para a tal palestra, sem dúvida éramos as duas pessoas mais jovens de todo auditório, me lembro como se fosse hoje, o monge, já de certa idade, usava uma vestimenta típica, tinha uma barba branca bem comprida e falava calmamente... aquele foi uma dia que me marcou profundamente. 
De lá pra cá meu interesse só cresceu, confesso que gostaria muito de praticar ioga com regularidade, ou ainda frequentar as tantas atividades que vejo que acontecem... mas nem sempre consigo.
Sabendo de todo esse meu interesse, meu marido me presenteou com um livro chamado Arqueologias Culinárias da Índia, escrito por Fernanda de Camargo-Moro.
O livro é incrível, nos conta de forma interessantíssima um pouco da história e dos costumes da Índia por meio de receitas encantadoras! 
A receita do post de hoje é justamente uma adaptação de uma receita desse livro. 
São deliciosos doces de cenoura, um doce típico indiano, chamado Gajar Halwa. Originalmente ele é servido em taças, ainda quente, ou já frio, cortado em forma de diamante salpicado com pistaches e amêndoas.
A receita que eu passo aqui, leva exatamente os ingredientes apresentados no livro, a mudança que eu fiz foi apenas no preparo. Na hora do cozimento cheguei em um ponto que eu conseguisse enrolar e colocar em forminhas para serem servidos como docinhos  de festas.
Além disso, usei castanhas de caju para enrolar. A combinação ficou ótima!
No vídeo mostro o passo-a-passo do preparo!
Ingredientes:
500 gr de cenoura ralada
360 ml de leite
150 gr de açúcar
100 gr de ghee
½ colher de chá de sementes de cardamomo
Castanha de caju socada para enrolar

Modo de fazer:
Rale a cenoura, refogue-a em uma panela de fundo grosso com metade da manteiga. Junte o leite, o cardamomo, o açúcar e a outra metade da manteiga. Mexa lentamente a mistura em fogo médio até dar o ponto, formando uma massa homogênea e cremosa.
Despeje em uma travessa e espere esfriar. Enrole os docinhos e passe na castanha de caju triturada.

Receita de Berinjela Cheia

Receita árabe de Berinjela Cheia
Fazia tempo que não postava nenhuma receita árabe aqui, então nada mais justo que postar uma bem especial, e com um vídeo de passo-a-passo para acompanhar!
Há pouco tempo ganhei uma paninho bordado com berinjelas da minha avó, imediatamente pensei que eu tinha que passar aqui no blog uma receita de berinjela cheia, prato presente na minha vida, desde a infância... a minha avó inclusive faz a melhor berinjela cheia do mundo!
Cá entre nós, a receita que eu passei aqui, tem alguns errinhos, o limão por exemplo, não vai na receita original, mas em algum dia da minha vida eu confundi com outra receita e desde então faço assim... então se você não quiser usar o limão, não precisa. Outro erro é a forma com que eu corto a parte de cima da berinjela, não é a forma tradicional, mas também funciona.
Essa é uma receita muito nutritiva, a princípio pode parecer difícil, mas é só impressão, acho que é uma receita muito prática, inclusive para variar o cardápio no dia-a-dia.
É um prato que pode ser congelado numa boa que depois de descongelado também fica ótimo, nem parece comida congelada, que eu particularmente não sou muito fã.

Ingredientes:
8 berinjelas
200 gr de carne moída
1 xícara de arroz cru (lavado e bem escorrido)
1/2 maço grande de hortelã
1/2 maço grande de cebolinha
1 maço grande de salsinha
Sal a gosto
1 lata de tomate pelado picado
1 tomate picado
1 limão
½ xícara de água

Biscoitos de Pistache

Biscoito de Pistache Ghraibe

Conhecido como ghraibe, esses biscoitinhos de pistache, são surpreendentemente incríveis, posso dizer que é uma espécie de mantecal, então se você não quiser usar o pistache, pode por exemplo, fazer bolinhas e espetar um pedacinho de goiabada em cima!
A receita é muito simples, leva apenas 5 ingredientes, e em menos de 2 horas está prontinha.
Eu achei essa receita em uma revista já há um tempinho, tentei achar o link para colocar aqui mas não encontrei...
Minha primeira tentativa de reproduzi-la foi frustrada... A massa ficou muito seca, despedaçando, então aumentei um pouquinho a quantidade de manteiga e tudo foi resolvido.
Eu acho que isso aconteceu porque cada farinha tem uma umidade diferente, então em qualquer receita precisamos sempre sentir a textura da massa, e corrigir.
No vídeo dá para ver direitinho a textura ideal, se sua massa estiver muito seca, vá acrescentando aos pouquinho colherezinhas de manteiga, e se ficar muito mole, coloque um pouquinho mais de farinha.



Ingredientes:
83 g de açúcar
83 g de açúcar de confeiteiro
200 g de farinha de trigo
150 g de manteiga
36 g de pistache socado

Modo de fazer:
Primeiro bata na batedeira todos os ingredientes, menos o pistache, até a massa ficar homogênea. Leve essa massa embrulhada em um saco plástico para a geladeira por 1 hora.
Depois desse tempo, bata novamente por mais 5 minutos.

Polvilhe o pistache, já socado em um pilão, sobre a mesa, e vá Rolando a massa sobre eles. Com a ajuda de uma faquinha, corte pedacinhos de massa. Acomode tudo em uma assadeira e leve para assar em forno pré-aquecido à a 160oC., por 30 minutos.

Cookie de cranberries, alecrim e açúcar de coco

Cookie de cranberries, alecrim, açúcar de coco e semente de cumaru
Cookie é sempre uma delícia, é ótimo para um lanche da tarde, para o café da manhã, ou até para matar a fome e a ansiedade que insistem em aparecer sempre na hora que eu vou dormir...
Lembro quando os cookies industrializados chegaram com força no mercado, foi mais ou menos na época que eu estava prestando vestibular, e sinceramente sempre me animava a encarar as provas ao lembrar dos pacotinhos de guloseimas que eu carregaria comigo ...
O tempo passou... eu entrei na faculdade e acho que enjoei de cookie... aí o tempo continuou passando e “desenjoei” deles, aí comecei a testar receitas em casa, mas nunca nenhuma dava certo, ou eles ficavam duros demais ou ficavam fofos demais, tipo bolo embatumado, até que misturei um pouquinho de cada receita que não dava certo e cheguei em uma receita base. Com o tempo saquei que mesmo que eu mudasse alguns ingredientes, mas respeitasse as proporções de secos e molhados, os cookies sempre saiam lindos e perfumados do forno.
A receita desse post é uma versão integral que eu fui aperfeiçoando com o tempo e que eu adoro, e olha que eu nem gosto tanto assim de coisas integrais, mas esses cookies ficam perfeitos e conseguem calar minha fome por um bom tempo. Outro ponto alto dessa receita é que fica pronta super rapinho e praticamente não suja louça.
Comecei a criar essa receita de cookies quando meu marido chegou em casa com um pacote de cranberries, eu olhei para as frutinhas e pensei na hora em cookies, aí fiquei dias pensando em uma combinação bacana, até que olhei para minha mudinha de alecrim que com a chegada da primavera resolveu crescer... pronto estava aí a combinação perfeita: Cranberries com alecrim!
Para completar resolvi usar pela primeira vez açúcar de coco, eu conto a história dele nesse post aqui, eu estava com bastante receio, mas como quem está na chuva é para se molhar, resolvi arriscar.
Como não sou de açúcar, arrisquei mais ainda e resolvi completar a experiência, substituindo a farinha de trigo refinada da receita original, por aveia e farinha de trigo integral.
Olhei para todos os ingredientes, achei tudo tão saudável que não quis colocar a essência de baunilha, mas imaginei que ia ficar faltando aquele gostinho característico que todos os cookies tem... Rapidinho resolvi o dilema com raspinhas de semente de cumaru, conhecida também como fava tonka, (eu falo mais sobre ela nesse post aqui).
Com tudo decidido, coloquei a mão na massa, literalmente, e não é que deu tudo perfeitamente certo... Fiquei tão feliz que decidi fazer um vídeo, bem curtinho, mostrando o passo-a-passo da receita.
A lista com a quantidade de todos os ingredientes vai logo abaixo do vídeo!
Ingredientes:
1 xícara de aveia em flocos 1/2 xícara de farinha de trigo integral
1/2 xícara de açúcar de coco
1/2 colher de chá de fermento em pó
1/4 xícara de manteiga sem sal
1 ovo
Raspas de 1 cumaru
1/2 xícara de cranberries secas

Temperos e Especiarias: Semente de Cumaru

Imagina uma árvore brasileiríssima, nativa da região amazônica, com mais de 30 metros, casca avermelhada, madeira muito dura, e que seu nome indígena significa árvore dos feiticeiros!
Agora continue imaginado que ela dá um fruto que quando exposto ao sol, pode ser aberto, tem polpa comestível e bem ali, em seu miolinho, encontramos a semente mais perfumada de todos os tempos!
Temperos e Especiarias: Semente de Cumaru; Fava Tonka
Um perfume de coisa antiga, que remete a coisa muito boa, que tem a capacidade de levar a gente para um outro tempo, que a gente nem conheceu!
É um perfume que lembra amêndoas, lembra também o miolinho de dentro do caroço da ameixa seca (sim! eu já abri, e adoro ficar sentindo aquele cheiro), acho que lembra madeira também... pois é, parece conversa de doido, mas se você conhece a Semente de Cumaru, também chamada no exterior de Fava Tonka ou Tonka Bean, sabe exatamente do que eu estou falando!!
As sementes de cumaru sempre foram muito usadas pelos índios como remédio para aftas, antibiótico, antifúngico e tônico capilar, que perfuma e dá brilho aos cabelos. Ela também é velha conhecida dos povos africanos, que sempre usaram-na em rituais religiosos.
Infelizmente, com o passar do tempo, nossa cultura e sabedoria ancestral foi se perdendo, e hoje quem consome nossas sementes são os estrangeiros. Praticamente toda nossa produção é destinada a exportação, é difícil encontrá-la por aqui, e quando conseguimos, pagamos o alto preço de especiarias importadas. Uma pena...

Semente de Cumaru na Culinária


A França e a Inglaterra são os países que mais usam a semente de cumaru na culinária, repare uma série de doces franceses que levam como ingrediente a Fava Tonka... sim, é a nossa semente rebatizada.
Aqui no Brasil ela começou a ser usada por alguns chefes, que a apelidaram de baunilha brasileira devido ao seu sabor que lembra o da baunilha. Essa semelhança se deve à uma substância que elas tem em comum, a cumarina, responsável pela cristalização que notamos nas sementes, e que em altas doses pode ser tóxica, mas só em doses altas mesmo... se usarmos a semente de cumaru como usamos a baunilha, a cumarina presente nela é inofensiva.
E é assim seu uso na cozinha, ela perfuma e aromatiza pratos, combina muito com doces a base de leite, como pudins, vai bem também com chocolate, e no preparo de bolos e biscoitos variados. Em breve devo postar aqui algumas experiências que eu fiz, como um cookie de cranberry e alecrim e um bolo de cumaru com chocolate branco e castanha de caju. 

Semente de Cumaru pode ser a chave para a cura do Alzheimer


E meu encantamento com essa sementinha não se dá apenas pelo seu perfume e seu sabor, recentemente a Universidade Federal do Pará (UFPA), iniciou estudos que colocam a semente de cumaru como chave na busca da cura do mal de Alzheimer.
Os pesquisadores da universidade descobriram que existe uma substância nas sementes de cumaru que tem uma grande concentração de propriedades neurogênicas, que induzem as nossas células tronco a formar novos neurônios.
Por enquanto o tratamento desenvolvido pela UFPA apenas diminui significativamente perdas cognitivas nas pessoas que sofrem do mal de Alzheimer, mas os estudos prosseguem no caminho da cura.
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